O Mar
O mar começa com uma única e solitária gotícula, brotando das mais recônditas escarpas. Nasce cristalino e pobre, sem saber ao certo o que o espera. Nasce bem no alto, lá nas grimpinhas dos morros.
O mar nasce incógnito, na terra da sua inimiga, a montanha.
Esse mar imenso, inesgotável, salgado, nasce pequenino e indefeso; frágil, puro e potável. Tão logo vem à luz já desliza pedreira abaixo, numa desescalada louca, atávica, sem tempo pra descanso, sem chance pruma conversa com as piabinhas, sem prazo sequer prum aceno pras avencas. É só a descida louca, sem fim, uma necessidade desesperada de ter que se juntar ao oceano.
Cai num poço, conhece os bagres, prova o gosto dos barrancos que irão entupir os rios. Sente o perfume dos águas-pé. E continua a sua descida mágica. Cai, enfim, num rio que não lhe reconhece a origem e não identifica o seu porque. Torna-se mais um na multidão, sem identidade, sem família, sem amigos. Mas mesmo assim e apesar de tudo, continua sua descida em direção ao desconhecido.
Por fim, derrama-se no caudal imenso da foz do rio e se aninha no seio do nada de que se originou.
“A parte não é parte sem o todo mas, da mesma forma, o todo não é todo sem a parte”
O mar nasce incógnito, na terra da sua inimiga, a montanha.
Esse mar imenso, inesgotável, salgado, nasce pequenino e indefeso; frágil, puro e potável. Tão logo vem à luz já desliza pedreira abaixo, numa desescalada louca, atávica, sem tempo pra descanso, sem chance pruma conversa com as piabinhas, sem prazo sequer prum aceno pras avencas. É só a descida louca, sem fim, uma necessidade desesperada de ter que se juntar ao oceano.
Cai num poço, conhece os bagres, prova o gosto dos barrancos que irão entupir os rios. Sente o perfume dos águas-pé. E continua a sua descida mágica. Cai, enfim, num rio que não lhe reconhece a origem e não identifica o seu porque. Torna-se mais um na multidão, sem identidade, sem família, sem amigos. Mas mesmo assim e apesar de tudo, continua sua descida em direção ao desconhecido.
Por fim, derrama-se no caudal imenso da foz do rio e se aninha no seio do nada de que se originou.
“A parte não é parte sem o todo mas, da mesma forma, o todo não é todo sem a parte”
