Eu nunca fui de reclamar da vida. Também nunca fui de olhar pra trás e culpar quem quer que seja pelas minhas desventuras. Meu nome é Silas.
E como Silas, há tempos me sinto algo meio que só, tipo não me enquadro em nenhum grupo socialmente montado pra congregar pessoas e ando olhando de soslaio pros ajuntamentos. Já fui do tipo que prefere ser ninguém no vulgo do que ser um titica pra uma só pessoa. Mas meu nome é Silas. Esse nome me persegue, esse nome atrasa, esse nome nunca me deu sorte.
Sabe, eu, Silas, tenho uma fixação que começa como se fosse uma coceirinha que a gente não dá valor quando pinta, mas que, ao fim e ao cabo pode virar uma ferida. Gosto de me dar mal. Eu sinto prazer em olhar mais de perto as agremiações humanas. E é por isso que sempre me fodo.
No entanto, ultimamente a vida tem me testado, a solidão que eu prezava tanto anteontem hoje já não me satisfaz mais e o amanhã...bem, o amanhã... a gente se vira, né mesmo?
Mais ou menos assim:
Um dia fui a uma festa que me lembrou os tempos dourados. Dourados pra mim, bem entendido.
E foi bom. Como foi bom.
Era uma festa no apartamento ao lado, a vizinha me convidou cinco dias antes, pedindo pelamordedeus que não faltasse, a festa iria ser do cacête.
E foi. A vizinha, gordota, bancou geral. Canapés, vinhos brasileiros, uísques nacionais, um pretinho básico, que ninguém é de ferro, e a merda do sonzinho de Wando e quetais. Baixaria geral, mas fazer o quê? Bagulho da lata, apê maneiro, bocetas disponíveis... Tudo indicava que a madrugada seria do caralho.
No princípio era como uma libertação, eu navegava meio que solto, bundeando aqui e ali, chapeando a vizinha gortoda, depois de alguns goles, não tão gordota assim, se chegando, se chegando... Até parecia que a festa tinha sido encomendada pra mim. Sacumé, né, alguns goles, dois béques e eu já estava achando que a gordota era a mais linda do mundo. Fiz o que pude pra que a festa terminasse.
Pano rápido.
Todo mundo prá lá de doido, tipo três horas da manhã vazaram e eu sem conseguir comer a gordota, que naquele momento era a mulher dos meus sonhos.
E eu, poderoso, caí matando na gordota. O pau não subiu e a gordota dormiu.
Grande vantagem!
De manhã cedo, tesão de mijo, ainda tentei mais uma vez. Ela roncava, ainda bêbada e não comida.