Segunda-feira, Abril 24, 2006

Gerânios e Seixos Brancos

Seja como os gerânios:
fugazes, semanais,
mortais e redivivos
a cada nova aguada.

Nasça e morra
a cada bafejo de sol;
renasça sempre que te matarem
e morra completamente
a cada desentendimento.

Viva o teu lado perigoso e animal,
mas te anhinha sempre nas pedras
pedras que dia mais, dia menos
serão o teu túmulo.

Quarta-feira, Abril 19, 2006

Por que perder meu tempo em linhas, se não há quem as lê?
Por que insisto em continuar, se não vou acrescentar nada aos olhos que por aqui passam?
eu só tenho em minha cabeça o soar que bate.
Bate e rebate
como o martelo que retumba em cada momento
discernimento
incremento
escremento
que de minhas idéias nascem.

Por que perder tempo com o ininteligivel?
por que perder tempo com o paradoxal?
verborragia jogada ao vento
sem que em nenhum momento se mostre a tento o que se quer saber
ver
receber
entender

retumba.
somente retumba
e segue-se sem os louros da gloria
ou de pequena vitória
em duas ou que seja, uma história

bate e rebate
retumba e ressoa
quero tirar minhas idéias
livrar por vassoura, varrer cada canto
jogar no acalanto de um papel em branco
e torno a me perguntar
volvendo a perguntar
por que perder tempo em linhas, que sei que não terão quem as lê?

Quarta-feira, Abril 12, 2006

Jade

Verdes são os teus olhos
e o mar é testemunha;
Deus, por culpado
e eu, por cretino.

Mansos são os seus carinhos,
felpudos são seus pelinhos.
Lençóis por testemunha,
você por culpada
e eu por cúmplice.

Rosa é a sua xana,
grande é o nosso tempo e
pequena é a nossa vida.
A cama por testemunha.

Doce será sua boca?
Serão seus seios doces
e aveludadas serão suas coxas?

Lambuzados serão seus lábios.
Os abraços já nem terão tanta importância assim...

Desejo

Põe a boca na minha boca,
me beija suave e longo;
a mão no meu seio, põe;
faz um carinho manso e pegajoso;
me aquece o ventre
e as entranhas.

Aperta, amor, invade;
rega minha aflição
com o teu gozo terreno;
me assola, me acalma o cio;
me adora,
me sopra no ouvido
toda a insanidade e indecência
dos teus desejos.

Sexta-feira, Abril 07, 2006

Engano

Eu nunca fui de reclamar da vida. Também nunca fui de olhar pra trás e culpar quem quer que seja pelas minhas desventuras. Meu nome é Silas.

E como Silas, há tempos me sinto algo meio que só, tipo não me enquadro em nenhum grupo socialmente montado pra congregar pessoas e ando olhando de soslaio pros ajuntamentos. Já fui do tipo que prefere ser ninguém no vulgo do que ser um titica pra uma só pessoa. Mas meu nome é Silas. Esse nome me persegue, esse nome atrasa, esse nome nunca me deu sorte.

Sabe, eu, Silas, tenho uma fixação que começa como se fosse uma coceirinha que a gente não dá valor quando pinta, mas que, ao fim e ao cabo pode virar uma ferida. Gosto de me dar mal. Eu sinto prazer em olhar mais de perto as agremiações humanas. E é por isso que sempre me fodo.

No entanto, ultimamente a vida tem me testado, a solidão que eu prezava tanto anteontem hoje já não me satisfaz mais e o amanhã...bem, o amanhã... a gente se vira, né mesmo?

Mais ou menos assim:

Um dia fui a uma festa que me lembrou os tempos dourados. Dourados pra mim, bem entendido.

E foi bom. Como foi bom.

Era uma festa no apartamento ao lado, a vizinha me convidou cinco dias antes, pedindo pelamordedeus que não faltasse, a festa iria ser do cacête.

E foi. A vizinha, gordota, bancou geral. Canapés, vinhos brasileiros, uísques nacionais, um pretinho básico, que ninguém é de ferro, e a merda do sonzinho de Wando e quetais. Baixaria geral, mas fazer o quê? Bagulho da lata, apê maneiro, bocetas disponíveis... Tudo indicava que a madrugada seria do caralho.

No princípio era como uma libertação, eu navegava meio que solto, bundeando aqui e ali, chapeando a vizinha gortoda, depois de alguns goles, não tão gordota assim, se chegando, se chegando... Até parecia que a festa tinha sido encomendada pra mim. Sacumé, né, alguns goles, dois béques e eu já estava achando que a gordota era a mais linda do mundo. Fiz o que pude pra que a festa terminasse.

Pano rápido.

Todo mundo prá lá de doido, tipo três horas da manhã vazaram e eu sem conseguir comer a gordota, que naquele momento era a mulher dos meus sonhos.

E eu, poderoso, caí matando na gordota. O pau não subiu e a gordota dormiu.

Grande vantagem!

De manhã cedo, tesão de mijo, ainda tentei mais uma vez. Ela roncava, ainda bêbada e não comida.

Só até aqui

Sempre que você quiser, eu vou estar aqui. Mesmo que seja pra te ouvir dizer que não tem nada pra dizer e ficaremos, então, os dois, em silêncio. Mas se você quiser falar, eu vou escutar.

E se você quiser ouvir, eu vou falar. E na sua tristeza, vou te dar meu colo pra você deitar,
meu abraço pra te acalmar e te fazer um carinho pra você dormir.

Mas se você quiser chorar, eu vou chorar com você. Se você quiser música, eu posso cantar pra você e dançar com você. Sempre que você quiser rir, eu vou rir com você e divertir você.

Quando alguém te colocar pra baixo, vou te levar um espelho. Quando alguém te disser um “não”, eu vou gritar um “sim”.

E nos seus desafios eu vou torcer por você. Nas suas vitórias eu vou vibrar por você. Mesmo que eu esteja longe e você não possa me ver. Mas se em uma derrota você cair, eu vou aí levantar você.

E quando você quiser ir embora eu não vou te impedir. Mas se você quiser, pode ficar. E se você voltar, vai saber onde me encontrar.

Mas se você não me amar, eu não vou amar você. Porque você me tem só até aqui.

Domingo, Abril 02, 2006

Declaração (a minha)

Com você eu era (meio) feliz...
Com você eu sorria menos...
Com você eu era infantil...
Com você eu me calava...
Com você as coisas especiais foram desaparecendo...
Com você eu sentia falta de mim...
Com você eu sentia saudades (mesmo nos vendo sempre)...
Sem você eu também sinto...
(Hahahahaha, é a minha cara isso!)