Terça-feira, Dezembro 21, 2004

Teorias femininas

Dia de semana de manhã. Em um daqueles encontros que acontecem semanalmente durante suas folgas, as duas amigas decidiram ir ao clube.

À beira da piscina, a amiga-curiosa quer saber mais do tal amigo virtual.

- ...e tem falado com ele?
- Uhum
- E continuam com aquela conversa de não se conhecerem?
- Não.
- Jura? Então, quando será?
- Não sabemos ainda, mas conversamos e decidimos que vai ser melhor pra relação se nos conhecermos. Nossa amizade só tem a crescer.
- Vocês nem se conhecem e já discutem a relação...
- Você é chata...É por isso que eu não gosto de falar disso com você.
...
- Como você vai saber que ele é ele?
- Ele mandou uma foto.
- Porra!!! E você não me conta nada? Eu SABIA que você tava escondendo alguma coisa!

A outra não dá bola.

- Já sei! Ele é feio. Ele é feio?
- Não.
- Como ele é?
- Bonito.
- Quanto bonito?
- Muito bonito.
- Bonito quem?
- Lembra do Rafa?
- Rafa...? Pô, outro?
- É, então...lembra?
- Qual deles?
- Morava no Leme.
- Um que você namorou?
- É!
- Putaquepariu, ele era maravilhoso!
- Era, né?...Por que essa cara de ah-que-pena-que-ele-é-tão-bonito?
- Ah, porque isso não é normal, né? Digo, ele ser um homem com tantas qualidades e bonito ao mesmo tempo.
- O Rafa era.
- E galinha.
- É, tem razão. Qual será o defeito dele?
- Sei lá, a amiga é você.
- Ah, mas não fico procurando defeito nele. Não consigo analisá-lo dessa forma.
- Ele deve ser gay.
- Ai lá vem você com teorias...
- Pensa comigo...O cara é inteligente, culto, bem humorado, educado, sensível, amigo, entende de maquiagem...
- Quantas vezes eu vou ter que dizer que é o trabalho dele?
- ...lava, passa, cozinha...
- Você é inacreditável...
- ...e agora você vem e me diz que ele é bonito. Porra, lógico que é viado! Por que diabos um homem como esse não tem namorada ???
- Credo...! Como você é fria! Vai ver ele é exigente demais. E nesse caso ele está certo. Um homem com tantas qualidades deve exigir uma mulher à sua altura.
- Ou então vai ver que ele é um conquistador que só usa as mulheres e não se envolve. Nesse caso ele seria igual ao outro Rafa, cuidado!
- Você ouviu o que eu disse, não?
- Isso não existe...tem que ter alguém que mexa com ele!
- hum...ah cara, vai ver que ele é cheio de manias. Homens que moram sozinhos são cheios de manias!

Pensaram em silêncio por alguns minutos em todos os homens que elas conhecem que moram sozinhos. Eles são mesmo cheios de mania.

- Tava pensando...Já que ele não é viado e você quer só como amigo, me apresenta?
- Lembre-se que ele é exigente, cafajeste e cheio de manias.

Horas mais tarde sentadas na varanda o assunto voltou.

- ...será que ele é gay?
- Seria um desperdício ele ser gay.
- Sua cara de pau!
- Muito franca!
- Ele não é gay não. Você vai ver.

Sexta-feira, Dezembro 17, 2004

O homem bumerangue – Parte II

Algumas horas mais tarde, em casa, já deitada, ela lembrava de seu último encontro com o Beto. Sentiu arrepios. Que se dane a revista e suas teorias piegas. Eu quero esse homem! Seus pensamentos foram interrompidos pelo telefone de casa.

- Alô?
- Oi...
- Oi! Adivinhão! Obrigada, Deus!
- To pensando em você ainda.
- Eu também estava pensando em você.
- Ale, eu quero vê-la. Vem pra cá? Você pode dizer isso mais uma vez? Obrigada, Deus!
- Por que não vem você pra cá?
- To indo. Beijo.
- Beijo. Aiii!Essa até que foi rápida.

O que estou fazendo? E agora? Ah não...ele está vindo pra minha casa e o que é pior, pra minha cama. Sei que não vou conseguir deixa-lo ir embora.

Ale acreditava que levar homens pra sua casa faria com que ela se apaixonasse por eles porque ela não teria controle da situação. Por mais contraditório que isso parecesse todas as vezes que o tema era abordado em conversas com amigos, esse era o argumento dela e ela realmente acreditava nisso e parecia ter funcionado todas as vezes. Por isso era sempre ela que ia a casa deles. Ninguém nunca havia deixado Ale tão insegura quanto Beto a deixara. Ele parecia ver através dela, sabia sempre o que ela estava pensando e a levava para lugares fantásticos quando estavam na cama e fora dela. E se divertiam, conversavam e Deus, ele é perfeito!

A campainha da casa dela tocou.

Ela usava uma camisola fina e curta que nada escondia. Palavras foram desnecessárias e ali, em pé, ele sentiu seu corpo estremecer ao beijá-la. As mãos apalpando-o ela tirou a roupa dele devagar. Enquanto tirava as roupas, ela pensou em como se sentia com outros homens e como era diferente com ele. Como pude resistir a esse homem incrivelmente sexy? Leon estava certo. Estou apaixonada por este homem. Beijava sua boca com vontade e foi descendo pelo corpo dele beijando e acariciando até que as mãos dele envolveram as dela guiando, controlando. Ela o sentiu com sua boca, excitadíssimo.

Ela virou-se e deitou-se na cama e quando ele chegou e abraçou-a ela não teve controle sobre o que aconteceu em seguida. As mãos a percorreram, acariciaram os seios, a barriga, procuraram as pernas escondendo-se entre as coxas. Ele passava os dedos e língua pelo seu corpo, caminhando de leve pela barriga e pernas. Sentindo-a úmida e entregue, quando a teve por baixo de si, tão suave e aflita, os joelhos forçaram suas pernas. Ela arquejou. Eu te quero tanto.

---

Ficaram deitados, abraçados, incapazes de dizer qualquer coisa. Você sabe muito bem como tratar uma mulher.

Quinta-feira, Dezembro 16, 2004

Enquanto isso, no messenger...

...
Bruno diz:
Quem é o cara da foto?
Cris diz:
Um amigo
Bruno diz:
Ele sabe que você fez isso?
Cris diz:
Sabe! nem ele sabia que tinha as costas tão bonita...pô, fala muito sério!
Bruno diz:
Sem comentários...
Cris diz:
Mas nem aparece o rosto dele..só eu e ele sabemos que é ele...ahuahuhauhuhauah
...
Bruno diz:
Nossa...gostei do seu primeiro texto...
Cris diz:
Hahahahaha tb adoro!
Bruno diz:
Esse foi de verdade?
Cris diz:
Tem verdade e tem fantasia...ahahahahah
...
Bruno diz:
Vc tem sutiã laranja?
Cris diz:
Tenho hahahahaha
Bruno diz:
E calcinha azul?
Cris diz:
Também! Hahaha
Bruno diz:
Tem rendinha?
Cris diz:
Tem...hahahahahaha
Bruno diz:
Mas não é você no texto, certo?
Cris diz:
Claro que não...acho que essa é a única coisa em comum que tenho com a Ale, mas eu não usaria azul com laranja nem embaixo da roupa...ahahahahahahah
Bruno diz:
hehehehehe
Cris diz:
Vcs homens são complicados...se eu dissesse que era eu iam ficar dizendo que não era blablabla...isso não deveria fazer diferença!
Bruno diz:
E com carinha?
Cris diz:
Hein?
Bruno diz:
Calcinha com carinha...vc tem?
Cris diz:
Ta querendo saber demais
Bruno diz:
Tem ou não?
Cris diz:
Tenho!! Todo mundo tem!
...
Bruno diz:
Quem é rafa?
Cris diz:
Então, um amigo...
Bruno diz:
Cheia de amigos...
Cris diz:
Eu tenho um amigo que diz exatamente isso...hauahuahuhauah
Bruno diz:
O que?
Cris diz:
Que eu sou cheia de amigos hahahahahaha
Bruno diz:
Já sei...vc é uma pessoa bem relacionada, né? hehehehe
Cris diz:
ahuahuahauhauhauahuahau
Bruno diz:
Mas pô, desde quando isso é motivo pra não transar?
Cris diz:
O que?
Cris diz:
Ah! O azul com cor de abóbora...pô, sei lá...pra mim não! Mas tem mulher que por muito menos inventa desculpa e não dá...
Bruno diz:
Ninguém merece...
Cris diz:
Existem 3 coisas que não dá pra impedir...Fogo morro acima, água morro abaixo e
mulher quando quer dar! Auhauhauhauahuah se não dá é pq não quer ou pq é fresca!
Bruno diz:
HAHAHAHAHAHAHA boa!
Bruno diz:
Quando vc vai escrever a parte II??
Cris diz:
Pó, vc também me cobrando isso? Ta pronta, vou publicar amanhã...hahahahaha eu adorei a Ale na parte II. É das minhas!auhauahuahauhauha
Bruno diz:
Cris, fala pra lê que o texto do dedo é ótimo! hahahahaha
Cris diz:
Uahauhauhauahuahau falo sim!
Bruno diz:
Vc ta muito risonha hoje...viu o passarinho verde?
Cris diz:
Passarinho sim, verde não...auhauhuahauhauha
Bruno diz:
Hahahahahahaha tu é uma figura!
Cris diz:
:p
Cris diz:
Você se importa se eu publicar parte dessa nossa conversa no tentação?
Bruno diz:
Claro que não...mas troca o nome!!! ahuahauhuahuahaua
Cris diz:
Ahauhauhauahuahuahua podexá...vou usar Bruno!

Quarta-feira, Dezembro 15, 2004

Tentação...



Fala sééério!


Fala sério, né?

Da série: O mala de internet

Quarta feira. Por volta de meia noite. Paula estava fechando algumas pesquisas na internet quando uma janela de chat nunca antes vista por ela surgiu na tela.

- Olá, boa noite!
- Boa.
- “Boa”... é que não entendi. Te dei uma boa noite e você só me respondeu “Boa”. Nossa que desfeita, hein!?
- Desculpa.
- Tudo bem. É que é bom quando existe reciprocidade , né?
- Está me cobrando um "Boa noite!"?
- É, mas não me referi a boa da noite e sim desejando uma boa noite a você, mas tudo bem..
- Então, eu tive mais ou menos a mesma intenção.
- Tá bom. Você é muito simpática.
- Obrigada
- Sei que não está muito interessada, mas prazer em conhecer sua pessoa meu nome é Joselito Silva e você? Eu sei o seu nome, Joselito Silva, está em letras garrafais nessa janela. Vou ignorar essa mensagem.
- Como você me achou??
- Procurei no skype e você caiu aqui em minha lista e então pensei e porque não conhecer essa pessoa? Ah...o skype...então é pra isso que serve!?...
- Mas procurou o que?
- Por pessoas, oras...Minha pergunta foi tão idiota assim?
- hum...que que você faz?
- E agora pode-se apresentar para mim também? Continua ignorando...ele não pode estar perguntando o seu nome que também está em letras garrafais nessa tela!
- Eu sou administrador de empresas.
- humm
- Só hum!! E você?
- Sou formada em jornalismo.
- Ah que interessante... e trampa aonde? Não deve ser carioca.
- Não estou trabalhando.Faço alguns trabalhos, mas não estou empregada.
- Ah tá...é formada de pouco, né? Não conhece freela?
- Não, tem 4 anos.
- Nossa e ainda não arrumou um trabalho ainda?
- Eu sempre trabalhei. É, não conhece.
- Parece ser uma área tão boa de se trabalhar.
- E é.
- E então?...
- Não estou empregada no momento por motivos que nada tem a ver com as curvas do mercado.
- Então o que?
- Nossa parece ser muito ríspida você ou é impressão minha? Perguntas idiotas, tolerância zero, Sr. Joselito.
- Só achei que você estava supondo errado e resolvi esclarecer.
- Tudo bem. É que estamos conversando apenas...calma. Eu odeio quando me falam pra ficar calma. ISSO me irrita.
- Não estou nervosa. Odeio mesmo!
- Tudo bem. Casada? Ele vai justificar minha solteirice como motivo pra estresse???
- Quantas perguntas...
- Nossa. Desculpa. Tô dizendo que você é extressada.
- Como?
- Muito irritadinha.Ao menos dá de apresentar.
- Como você pode supor tantas coisas sobre uma pessoa que você não conhece? Precipitado você!
- Você não leva um papo de boa e sempre com respostas curtas e sem muita corda. Mas é cada um que me aparece...
- Bom, de qualquer forma eu estou ocupadíssima e só resolvi ser simpática e educada, mas como a recíproca não é verdadeira, boa noite pra você.
- Não que eu seja tão precipitado, mas só de conversar com alguém já dá pra sentir a maneira de agir da pessoa. Não preciso ser um psicólogo para analisar isso. Minha experiência de vida já basta.
- Ótimo, eu também não preciso de mais nada pra terminar essa conversa. E é estressada. Analfabeto!

Paula não tem mais o tal skype.

*Esse diálogo é verídico, mas foi editado porque os erros de português estavam atrapalhando a fluidez da leitura.

Terça-feira, Dezembro 14, 2004

A vingança é um prato que se come frio. Queira ou não.

- Você não vai acreditar!
- Hm..
- Encontrei o Rogério!
- Mentira?! Como? Aonde?
- Eu estava indo para o trabalho. Dez horas da manhã.
- Mas você não pega meio dia?
- Então, olha que loucura! Eu NUNCA saio de casa nesse horário e, justo hoje...
- Vai, conta.
- Tentei pegar o ônibus de sempre mas o motorista não parou. Um calor de matar leão.
- Ahm.
- Parei um outro ônibus de uma linha que eu nunca ando.
- Porra, isso se chama destino!
- Pois é. Aí quando eu entrei o ônibus estava cheio. Demorei uns minutos para conseguir pegar o vale e atravessar a roleta com as duas sacolas que eu carregava.
- Já conheço essa cena: você fica presa na roleta, uma bolsa vai e a outra fica. Aí você tenta voltar mas a roleta trava e, geralmente, o ônibus freia, né?
- É. Aí, quando eu ía sentar uma mão me pegou na cintura. Era ele. Eu demorei uns 15 segundos para reconhece-lo.
- Lindo como sempre?
- Feio. Horroroso como nunca vi.
- Não acredito.
- Ele está com o rosto fundo. Barba mal feita. Olheiras, acredita?
- Não pode ser a mesma pessoa. Ele era maravilhoso quando vocês eram casados.
- Pois é, vai ver ele era maravilhoso pq era meu marido!
- E a aliança? Ele ainda usa a aliança que deu para aquela vagabunda?
- NÃO!!!! Ela engravidou.
- Nossa, ele deve estar feliz então. Vai realizar o grande sonho.
- Não, ele está destruído mesmo. Ela engravidou de outro.
- Caráleo, quanta informação.
- Ela o traia com o primo do vizinho, acredita? E saiu de casa, grávida. Ele ficou com as dívidas e o armário. A cama ela levou.
- Hahahahaha!
- Então ele está trabalhando dobrado para tentar recolocar a vida no lugar.
- Meu Deus!
- E as roupas melhores que ele tinha ela rasgou em uma briga. Os copos de cerveja que ele tanto idolatrava ela jogou na parede. E até a TV ela destruiu, é mole?
- É mole não. É castigo mesmo. Depois de tudo que ele te fez. E vocês falaram alguma coisa sobre vocês dois?
- Claro que não. Eu só dei espaço para ele contar a desgraça que a outra transformou a vida dele.
- E depois?
- Depois de tudo dito ele levantou e saltou. Mas antes ele me deu um papel com o telefone dele.
- Cadê?
- Joguei fora, lógico. :)
- Aliviada por saber que ele se fudeu?
- Você nem imagina o quanto!
- Realmente, a vingança é um prato que se come frio.

(esclarecendo: encontrei com um amigo meu que acessa esse blog hoje no ônibus. Bruno, só pra te falar que o fato foi inspiração para o post mas você está MUITO mais gatinho do que quando te conheci - e você já era bem interessante, hahahahahahaha!!)

Segunda-feira, Dezembro 13, 2004

Mulher!!

- Ele é perfeito.
- É?
- Claro! Ele já era perfeito em dia de trabalho. Vestia-se muito bem. Agora então, é mais do que perfeito. Já reparou que bermuda linda? E o cabelo, despenteado?
- Ahm. Você reparou que a camisa dele está rasgada?
- Ah, detalhe. Ele deve ter prendido no portão de casa. Ou, o cachorro mordeu.

-x-

- Que roupa eu vou?
- Vai com uma blusinha, uma calça e um sapato.
- Se você não quer ajudar, fala logo.
- Eu estou ajudando.
- Está? Sabe quantas blusas, calças e sapatos eu tenho?? E como eu vou usar SAPATO com esse calor? Não seria melhor uma sandália?
- Tem diferença?
- C L A R O! Até um imbecil sabe a diferença entre um sapato e uma sandália!
- Mas não é tudo para o pé? Não servem para que você não se suje e se machuque?
- Você ACHA que servem pra isso? Já viu os calos do meu pé? Não, né? Você NUNCA reparou no meu pé! De onde tirou a idéia de que sapatos e sandálias não machucam os pés?
- Não deveriam machucar, ora.
- Pois machucam. E como eu fui pedir ajuda pra você? Você não sabe nem se vestir pra ir à padaria!
- Então não me peça mais ajuda.
- Não vou pedir mesmo. Claro que você não saberia me ajudar. Sua mãe nem te ensinou a diferença entre um sapato e uma sandália!
- Não mete minha mãe no meio.
- Vai defende-la?
- Só estou pedindo para não meter mamãe no meio.
- Não a chame de mamãe!!!!! ME IRRITA! E, quer saber? Não vou mais a lugar nenhum, desisti. Não tenho roupa, não tenho o que calçar e tenho um marido chato defensor da mãe cafona que tem. Vou deitar e assistir TV. Boa noite.

(homens, não percam a esperança. Eu sei que nem todas as mulheres são iguais. mulheres, não se ofendam!)

Uma historinha real!

- Mãe, por que você trabalha?
- Para comprar as nossas coisas.
- Mas o papai já não trabalha?
- Sim, ele trabalha. Mas eu gasto o meu dinheiro com coisas para mim e para você. Não quero depender de seu pai.
- Mas o cartão de crédito já não te dá oito mil?
- Sim, eu posso usar oito mil no cartão de crédito.
- E você precisa de MAIS?
- Não, filha. Eu posso usar ATÉ oito mil por mês. Aí chega a fatura e a mamãe paga o que utilizou.
- Eles te dão o dinheiro e você tem que pagar depois? Que sem graça.

Ah, crianças........

Sábado, Dezembro 11, 2004

O homem bumerangue – Parte I

Alê e seu amigo Leon estavam na livraria (dessas que vendem do caderninho de telefone ao DVD-importado-de-coleção) procurando o cd da trilha sonora do filme que acabaram de assistir. Filme bem mulherzinha, mas com excelente trilha sonora. Leon adorou. Entre livros e revistas Alê se assustou...

- Ah, meu Deus, é ele ali!
- Quem?
- Shhhhh! Fala baixo!
- Ele quem? - Sussurrando.
- O Beto.
- O seu Beto?
- Bem, infelizmente ele não é meu, mas é esse mesmo que você tá pensando.
- Cadê?
- Disfarça...tá ali nos cds.
- Aquele com a loira?
- Loira? Filho da puta!
- Pode olhar de novo, eles não estavam juntos.
- Não quero e não posso falar com ele. Tenho evitado ele há dias.
- Meu bem se você não quer esbarrar com ele, deveria considerar a idéia de mudar de cidade. Vocês vivem se encontrando.
- Engraçadinho.
- Ele é uma coisa de bonito, hein?
- Ele é homem e é meu.
- Agora ele é seu, é? Então fica aí admirando que eu vou ver de perto.

O Beto é um dos homens mais bonitos que Alê conheceu. Ele se acha. Também pudera, deve ter saído com metade das mulheres magrinhas, loirinhas e turbinadas da escola, da faculdade, do trabalho e do clube e a outra metade ele não quis. Tão lindo, tão maravilhoso, tão atraente, tão inteligente, tão charmoso, tão cheiroso...Encontraram-se várias vezes e quando estavam na cama pareciam ter sido feitos um pro outro. Desde a última vez que estiveram juntos Alê não atendia ou retornava suas ligações sem qualquer motivo aparente. Beto era o tipo do homem que ela sempre pensou que jamais olharia pra ela. Mas olhou. E estava olhando novamente naquele momento.

Acho que ele tá vindo pra cá. Ele tá vindo. Puta merda ele me viu! E agora que que eu faço? Operação disfarce: finge que tá comprando um livro. PEGA UM LIVRO. Pra que? NÃO disfarça...você ESTÁ mesmo comprando livros. Você ADORA livros!
- Oi, gata.
- Oi. Que cheiro bom!
- Que bom te encontrar. Senti sua falta na sexta. Canalha! Certamente voltou pra casa com uma daquelas barbies com pernas enormes sem celulite.
- Não pude ir.

Momentos de conversas superficiais...

- Não sabia que você gostava desse tipo de leitura.
- Como?
- Esse livro na sua mão.
- Ah..

Ele tomou o livro da mão dela.

- 500 Perguntas sobre sexo? Droga, eu não podia ao menos ter escolhido o livro-álibe? Que porra de livro é esse?

- Tava só folheando.
- Você não precisa disso.

Ela sorriu sem graça.

- Assim você fica mais sexy ainda.

Ela sabia que ele a deixaria sozinha novamente e voltaria a ligar e a deixaria sozinha novamente. Ela leu sobre homens bumerangue em uma dessas revistas femininas que prometem ensinar suas leitoras a conduzir uma transa perfeita para o parceiro e não as deixam gozar em paz. Dizia que esse tipo de homem aparenta ser o homem ideal, mas na verdade têm apenas uma enorme necessidade de conquistar e seduzir. Chega de homens sedutores. Continuavam conversando. Que que esse homem está fazendo comigo? Ou melhor, o que eu estou fazendo com esse homem aqui? Eu deveria estar é na cama dele. Por que eu não consigo prestar atenção no que ele está dizendo? Por que ele cheira tão bem? Por que ele está olhando desse jeito pra minha boca? Ele quer me levar pra cama, é isso? Ele sabe que eu não resisto quando ele me olha assim. Ele segurou-a pela nuca e falou no ouvido dela.

- Vamos sair daqui. É, ele quer me comer. Será que ele leu meus pensamentos? Cadê o Leon?
- Não dá.
- Por que não? Você não quer?
- Não é isso...é que eu to com o Leon, e...

Leon apareceu atrás dela indiferente ao momento.

- Comprei o cd. Vamos?

Despediram-se rápido e todos foram embora.

No caminho pra casa ela agradeceu seu amigo por tê-la tirado dali e explicou porque não foi embora com o Beto.

- Então foi isso, Alê?
- Foi. Ainda bem que tenho você.
- Tudo bem, amiga, mas não acho isso seja motivo pra não ir pra cama com ele.
- Leon, pelamordideus, calcinha azul e sutiã cor de abóbora!
- Você quer enganar quem?

(continua)

O Hell!



Ele apareceu do nada. Simpático, gente boa e com fotos de um pau lindo. Somente o pau. Duro, gozado, de ladinho, de frente, de baixo. Conversávamos sobre muitas coisas, mas volta e meia ele tentava papos mais picantes. Curioso que só ele, queria saber de tudo. Se chamava Rodrigo, 26 anos. Morava em Ipanema. Designer. Todos os dias ele tinha uma imagem do pau e sempre pedia opiniões. Elas adoravam conversar com ele. Falavam de sexo, taras e trocavam dicas. “Aperta ali que é gostoso”, “Tem que chupar e pegar ao mesmo tempo”, “Não adianta enfiar o rosto e ficar balançando, tem que encontrar o ponto certo”, “Com pressão”. E assim foram ficando cada vez mais íntimos, mais cúmplices.

Elas eram amigas de longa data. Ele era um novo amigo. Uma figura engraçada que conversava sobre tudo com elas. Elas foram ficando cada vez mais curiosas. Até que ele mandou uma foto, de rosto.
- Lindo ele, né?
- Porra, ele é gatíssimo!
- Onde ele te achou mesmo?
- Ah, ele disse que me encontrou por acaso no diretório do msn.
- Mas vc paga por isso?
- Não, não pago nada.
- Ele está enrolando então. Só tem como encontrar quem paga pelo serviço.
- Hm, tem certeza?
- Absoluta.
- Estranho..
- É, vamos tentar descobrir.

E descobriram. Ele a encontrou no orkut.
- É mole? Tem orkut e não quer nos mostrar o perfil dele!
- É, ele me disse que a namorada é muito ciumenta.
- Mas ele terminou com a namorada ontem.
- Vamos logo acabar com isso, convide-o para ir à sua casa.
- Já convidei.
- Se ele for vai ter que nos mostrar o pau dele.
- Já combinamos isso e ele disse que se mostrar a gente vai ter que pegar.
- E você disse o que?
- Disse que tudo bem. Pegaríamos sem compromisso. Vai saber o clima do momento.
- Hm.

Continuavam se falando todos os dias. Os 3 no mesmo papo conversavam por horas e riam muito. Até que ele pediu que ela lhe telefonasse.
- Você tem a voz muito bonita.
- Obrigada. Queria te pedir uma coisa, já que somos amigos.
- Ok, manda ver.
- Soube que você mentiu pra mim e queria te pedir que não faça mais isso. Não sei com que tipo de mulher você está acostumado, mas eu não sou uma filha da puta. Você disse desde o primeiro dia que tinha namorada e eu jamais lhe faltaria com o respeito.
- Ok, não vou mais mentir pra vocês.
- Que bom. Amigos?
- Falando nisso..
- Hm
- As fotos não são minhas, eu não me chamo Rodrigo, não sou designer, não tenho 26 anos e não moro em Ipanema.
- As fotos não são suas? Nem as fotos do pau?
- Não.

Ela foi correndo contar para a amiga
- Bem que eu desconfiei… Quando eu perguntei o tamanho do pau dele ele logo disse 21. É um tamanho clássico de quem está mentindo.
- É, eu achei um pouco estranho. Não mostrava o rosto pq não queria ser descoberto mas em compensação dava para ver todo o quarto dele. E.. as coxas tinham tamanho diferente nas fotos. - Vários homens.
- Vamos perdoa-lo?
- Vamos, né? Menino novo, brincadeira inocente. E ele acabou contando a verdade.
- É, está certa.
- E ele vai na sua casa?
- Se ele vem ou não eu não sei.. Mas se ele vier eu não quero ver o pau dele não.
- Nem eu.
- Quem será o dono daquele pau das fotos?
- Precisamos descobrir.

Quarta-feira, Dezembro 08, 2004

Solteira. De novo.

- Pense bem. Vocês já não se entendiam muito bem.
- Eu sinto muito a falta dele.
- É natural. Mas vai passar.
- Você diz isso como se fosse fácil.
- Não disse que é fácil. Mas vai passar. Sempre passa.
- Mas dói.
- Dói mais ficar com uma pessoa que não te quer. Com uma pessoa que não te ama. Porra!
- Ah! Ele era tão carinhoso! Tão atencioso! Tão amoroso!
- Mas ele não quer mais ficar com você! Encare a realidade. Ficar lembrando dos momentos bons não vai te ajudar. Pelo menos não agora.
- Você está sendo muito dura comigo.
- O cacete! Vamos, saia dessa cama.
- Nunca!
- Vai ter festinha na Mô hoje. Todo mundo vai.
- Todo mundo. Menos eu. Vai lá, divirta-se.
- To começando a perder a paciência contigo. Levanta dessa cama já! Vai com aquela calça ali e a blusinha verde nova.
- Qual calça?
- Aquela.
- Qual das duas?
- Porra, levanta da cama e experimenta. A que ficar melhor, ta bom?
- Ai, cacete. Que eu vou fazer na casa da Mô? Um monte de casalzinho e pessoas solteiras que amam ser solteiras. Não vou conseguir conversar com as pessoas. Sem contar aqueles babacas que ainda não sabem que eu e o Tomás terminamos. Vão perguntar aonde ele está.. Não sei se agüento isso.
- Estou esperando na sala. Você tem 15 minutos.

Ela demorou 30. Escolher a calça era complicado. A amiga estava animadíssima e tinha até separado a maquiagem.

- Escolhi essa sombra pra você. Combina com a sua blusa.
- Que diferença isso faz?
- Porra, eu fui até o carro pegar minha bolsa. Escolhi a sombra perfeita pra você e você pergunta que diferença isso faz?
- Você não vai querer brigar agora, vai?
- Estamos atrasadas. Sabe quem vai estar lá?
- Se for o Tomás eu volto pra cama nesse EXATO SEGUNDO!
- Que mane Tomás, porra. O Rafa. Aquele gatinho que te deu coca-cola no cinema, lembra?
- Ai que vergonha. Ele não me deu a coca-cola. Ele foi compra-la e eu não paguei.
- Hahahaha, detalhe. Mas o mais engraçado foi você filosofando aquele dia.
- Que dia?
- Do cinema e da coca-cola. Não lembra? Você disse que ele não te deu carona depois do filme porque você tinha dado calote na coca.
- E você acha isso engraçado. Mas enfim, legal saber que o Rafa vai estar lá.
- Claro, isso é ótimo. Sem contar que você vai poder dar uns beijos na boca. Uma fudidinha.
- Uma fudidinha? Eu vou dar uma fudidinha hoje?
- Ué, quem sabe?
- Nem por um caralho!
- Nada mais natural em uma fudidinha: um caralho! Mas você não daria pra ele?
- Por que eu daria?
- Por que NÃO daria?
- Porque eu não acho isso correto. Já fiz muita merda na minha vida e cheguei a seguinte conclusão..
- Hm...
- Eu sou o que tenho de mais valioso. Não tenho preço. Só me entrego para quem for muito especial. O cara só pagou a minha coca-cola (e acho que nem estava realmente disposto a pagar), tem uns olhos bonitos, corpo musculoso. Quem é ele pra me ter?
- Mas você não pode se fechar assim!
- Não estou fechada. Eu me entrego se aparecer o homem especial.
- E se o Rafa for especial?
- Será?
- Eu acho que ele é especial. Inteligente, culto, amigo, engraçado, companheiro, bonito pra cacete e, detalhe, tem carro. Detalhe dois: carro importado.
- É, até que ele é gatinho.
- Ele é gato pra cacete. Dá de mil no Tomás.
- Não fala em Tomás, por favor. Pare no posto. Preciso comprar umas bebidas pra esquentar. Se o Rafa for especial eu só vou perceber se estiver alterada.
- Boa menina!
- É, pensando bem.. O Rafa pode mesmo ser especial. E ele nem falou nada da coca-cola daquele dia.
- Taí. Você pode chegar nele falando da coca-cola.
- Hm?
- É, puxar assunto. Fale daquele dia. Fale da vergonha. E ofereça algo a ele. Uma caipirinha. Vá fazer. E chame ele contigo. Sorria, converse. Seja sensual.
- Hm..
- Olhe nos olhos. Passe a língua nos lábios, de forma sutil. Se ofereça.
- Hm..
- Volte a ativa, menina! E eu acho que ele é um ótimo pretendente.
- Hm..
- A Mô também acha. Inslusive agora que você está animada eu vou contar. Está tudo meio armado. Ele e você, você e ele, entendeu?
- Ai caralho. Você e suas armações.
- Relaxa. Ele ta afim. Não tem erro. Leva ele pro cantinho, meia dúzia de palavras e a noite será sua!

Ela se sentiu bem, poderosa!
Chegaram. Horas se passaram e..... o Rafa não apareceu!

(Hahahahahahahahahahahahahahahahahaha)

Ahm?

- Tá errado ali. Você escreveu "Aloa".
- É, aloa.
- É alô.
- Não pra mim.
- Você fala ALOA?
- É, aloa.
- Alohã?
- Não, aloa.
- Hahahahahahaha eu falo alô!
- Eu sei, mas eu falo...
- álôhãã!! hahahaha
- É aloa. Aloa, entendeu? E oiea.
- Oiea?
- É, pra você é oi. Pra mim é oiea.


Segunda-feira, Dezembro 06, 2004

Tequila, sal e limão.

- Tira a roupa!
- Aqui? Tem gente olhando!
- AGORA! tira a roupa!!
- Vamos para o mato, gatinho...
- Que mato o caramba.. tira a roupa, mulher!
- Nossa.. que delícia! vem mete!
- Isso... que gostoso!
- Hummmm... tá delicioso! mete mais.. mais forte
- Rebola...
- Mais rápido gatinho, mais rápido!
- Hummmmm...
- Nossa.. você fode maravilhosamente bem, para um viado.
- O QUE??!?!
- Tô te elogiando bobo! você é muito bom mesmo!
- PARA TUDO!!! QUE PORRA DE HISTÓRIA DE VIADO É ESSA, CARALHO?
- nada não.. mete mais...
- Mete mais é a puta que te pariu! Agora conta essa merda de história!
- Ué... você não é gay nao?
- Não! Nunca fui! De onde infernos você tirou isto?
- Pô... gosta de cozinhar, anda sempre bem vestido.. é educado sei lá..
- E só por isso você achou que eu dou a bunda?
- Não... é que você foi tão lerdinho para ficar comigo...
- É porque você não é tãããão gostosa assim... MALDITA TEQUILA!

Domingo, Dezembro 05, 2004

Grávida???

Lendo a bula do maldito teste de gravidez...

- Já vaaai!
- Oi.
- Oi, entra.
- Que cara!
- Tô tensa!
- Calma...já fez?
- Ainda não. Tô lendo as instruções.
- Instruções?
- É. Eu também não sabia que era tão complicado.
- Sozinha?
- É...
- Deixa eu ler.
- Tá. Vou lá fazer.
- Tá.

Minutos depois...

- E aí?
- Tem que esperar 5 minutos.
...
- Cê acha possível? Digo, é que tem tão pouco tempo e foi só uma vez.
- Acho. Pra isso bastam alguns minutos.
- Tinha esquecido o quanto você é sincera e direta.
- Ainda não entendi como você foi transar sem camisinha.
- Nem eu.
- Logo você!
- Pois é!
- E se der positivo?
- Não sei. Não sei mesmo.
- Vai contar pra ele?
- Como se ele mal fala comigo?
- Ele não fala com você?
- Não.
- E você fala com ele?
- Não exatamente.
- Tentou pelo menos?
- Tentei...
- Mentira!
- Você me conhece...Falamos muito rápido essa semana e na última vez ele teve que sair. Tava com pressa pra sei lá o que. Não vou ficar ligando!
- Não sei como você consegue ficar sem esclarecer as coisas.
- Já tivemos essa conversa.
- Tá, tá, então vamos ver se já tem resultado?
- Já deu 5 minutos? Tem que esperar 5 minutos!
- Você não está curiosa?
- Tá. Vamos.

Olhares indecifráveis...

- Que porra de cor é essa?
- Sei lá. Vai ver que essa é a cor do “Calma. Você está apenas estressada e esse atraso é normal.”
- Quase uma semana de atraso e você prefere o otimismo?
- Não?
- Não é melhor ir ao médico?
- Não é melhor esperar mais uns dias?
- Não é melhor saber logo?
- É. Tá certo. Você e sua lucidez...
- Peraí, ta mudando de cor...
- EU SABIA!
- Amiga, acho melhor você ir ao médico.

Sábado, Dezembro 04, 2004

...- Voce acha que o fato de voce ter namorado meu melhor amigo atrapalharia a gente?
- Acho que não, já havia pensado nisto até, mas sabe.. isso foi há muito tempo, mais de 3 anos atrás.. muito tempo, entende?
- E na época não rolava nada!
- Isso!

Foi assim que começou o relacionamento que não tivemos. Conversa daqui, conversa de lá, telefones, promessas, planos. Em nossas conversas, descobri tudo sobre ela... tudo o que ela gostava, tudo que ela detestava. Do seu desejo de transar em 2 casais ao de seu medo de baratas.

- Meus pais não vao para o sitio neste fim de semana, vamos para la?
- Só nos dois? Hummm acho ótimo!
- Nós vamos fazer tanta coisa juntos... Eu quero fazer uma coisinha em especial com você...
- O que?
- Te chupar enquanto voce dirige!

Um boquete subindo a serra! Confesso que não poderia esperar nada melhor que isto. Mas teve:

- Lá no sítio, tem cachoeira.. nós podemos tomar banho pelados de cachoeira.
- Estou adorando a idéia! É impressão minha ou você só tem idéias boas?
- Voce não sabe de nada ainda!

E realmente não sabia. Quinta à noite, saindo de minha aula, ligo para ela:

- Mulher, não vai ter jeito.. estou louco de vontade de te ver... onde você está agora?
- Estou no trabalho... plantão aqui no hospital...
- Vou passar aí para te ver, AGORA! To morrendo de tesao, morrendo de vontade de te dar um beijo na boca!
- Não faça isto! acabou de chegar um acidentado aqui, vou ter que ir agora... vamos nos ver no sábado... é bom que voce fica com mais saudades ainda...
- Não faça isto comigo! estou ficando louco!

De certa forma, a contragosto, combinamos de nos vermos somente no sábado de manha no seu sítio.Na manhã de sexta feira, ligo para ela, desejando um bom dia...

- Amanha, nesta hora estaremos indo para o sítio... você vai me comer gostosinho, vai?
- Vou fazer o meu melhor hehehhehe!
- Hummmm..

Sexta feira, duas horas da tarde, ela me liga chorando:

- Você não sabe o que aconteceu!
- O que houve minha lindinha?
- Minha avó... morreu... e foi tudo culpa minha!
- Hã? como assim?
- Eu não quis examina-la, fiquei com preguica.... que bosta de médica eu sou! Te ligo daqui a pouco... daqui a pouco é o velório...

Ela me ligou de novo? Nunca mais.
Fomos ao sítio? Não fomos.
Ganhei o boquete subindo a serra? Nada.
Resultado do fim de semana? Zero a Zero.

Havia dito que descobri tudo sobre ela... ledo engano... não sabia que ela gostava de enganar as pessoas.

Desejo contido, resultado positivo.

Sexta feira a noite.

Dia da festa na casa do Edu. Ela havia esperado a semana inteira pra ver novamente o melhor amigo do Edu e sabia que ele também esperara por ela. Falaram rapidamente pelo telefone durante a semana. O encontro sexta estava marcado. Não perderia essa festa por nada pois mal podia esperar pra ver aquele homem novamente.

Mulheres reunidas na casa (no quarto) de uma delas. Escova no cabelo, maquiagem, salto alto, disputa entre mulheres, conflito de egos, (não se envolve!). Celular toca.

- Ahhh não entra que eu tô pelada!
- Calma Di, é o celular - Diminui o som - Aloa?

Era ele. Disse que vai. Momentos tensos... ”Essa roupa tá boa?”. Amigas são fundamentais nessa hora. Ela finalmente vai vê-lo de novo.

Na festa, música boa ecoa no ar. A casa do Edu é dessas casas que a gente quase precisa de um mapa pra transitar dentro dela. Mas essa era uma festinha pequena. Só pra “Diretoria” como os meninos gostam de dizer. Devia ter umas 50 pessoas espalhadas pela casa e mais algumas no jardim (impossível calcular).

Mas quem ela queria que estivesse lá não estava. Nem mesmo no jardim. Ela sabia que ele iria, mas que horas? E por que ainda não estava lá? Será mesmo? Ela duvidou, dançou, questionou, riu, gargalhou, dançou e bebeu (muito) e já não pensava mais nele.

Papo furado e alguns martinis mais tarde...briga com a ansiedade, ela vai pegar um café. Pela janela da cozinha ela o vê. Lá está ele com aquele sorriso lindo no rosto e jeito de dono da festa andando pelo jardim e falando com as pessoas. Ela acha que bebeu demais. Ele fala com Edu que aponta pra ela. Só os bêbados acham que não são notados. Ela agora tem certeza que bebeu demais. Corre pro quarto, mas ele chama por ela. “Droga, ele me viu! Não pode me ver assim.”.

Ele entra no quarto... sorriso lindo de novo (“porque ele faz isso comigo?”), até o oi dele é macio. Toque, boca, voz, abraço, cheiro, atração, desejo. Dessa vez ela não finge descaso e se entrega. A proximidade do beijo molhado e quente acelera o coração dos dois. Lábios se tocam. Ela tem a certeza de que o que está sentindo não vem do Martini mas daquelas mãos (perfeitas) desamarrando seu vestido. Tudo que ele fala é gostoso de ouvir. Ela sussurra besteiras no ouvido dele também. O beijo lento fica rápido a medida que as mãos despem os corpos já deitados na cama. Ele vai beijando e acariciando o corpo dela lentamente enquanto ela se contorce de prazer. De uma forma que só os homens como ele conseguem, ele troca de lugar com ela e agora sente o perfume dos longos cabelos negros que ele tanto quisera tocar. Uma onda de calor percorre seu corpo ao sentir o toque da língua dela. Arrepios. Ela gosta cada vez mais. Ele a tem de volta sob seu corpo, puxa-a pelas pernas apertando seu corpo contra o dela. O encaixe perfeito! Eles nunca sentiram algo tão bom. Olhares, corpos úmidos, pernas trêmulas. Ela pede mais. Ninguém se domina e ambos se rendem ao clima que os domina. Por um instante parecem estar sozinhos. Sintonia perfeita. Ela pede mais. Sensação de movimentos lentos e ao mesmo tempo firmes demonstrando entrega ao prazer. Ela pede mais. Respiração ofegante que quase não se escuta. Perda do som. Mãos dadas se apertam. Olham-se novamente com cumplicidade revelando a certeza de que ambos estão no mesmo ritmo. Enfim, o som do prazer, o suspiro profundo que traz o cenário de volta ao normal e o silêncio de êxtase pelo resto da noite. A melhor de todas as noites.

Sexta-feira, Dezembro 03, 2004

Isso é um dedo??

Primeiro encontro. Ele foi busca-la em casa e foram para um barzinho. Estava muito calor (Rio de Janeiro, Dezembro). Beliscaram umas coisinhas e resolveram beber. Chopp e Smirnoff Ice. Beberam o suficiente para se soltar e as línguas se amarravam mais a cada beijo. Resolveram dar uma volta para esfriar a cabeça. Conversaram muito, riram um bocado. E ali mesmo, na frente de todo mundo, começaram a se agarrar. Em pé, na calçada. Ele a envolvia com as mãos pelo pescoço, puxando o corpo dela contra o seu. Ela agarrava as costas dele com força, subindo e descendo com as mãos.

- Não estou me agüentando!

Foram para o carro. E ali, sentados lado a lado recomeçaram o amasso fantástico. Beijos no pescoço, mãos nos seios, carícias. Ele abriu a calça, ela fingiu não ter percebido. Estava cada vez mais quente. Ela tirou a blusa e imediatamente sentiu o calor da língua dele ao redor de seu seio. Ele lambia com vontade, chupava, beijava. Ela estava delirando. Ele estava se masturbando enquanto cuidava dos seios dela. E ela resolveu lhe dar mais atenção.

Foi colocando a mão devagar em cima da mão dele para que ele parasse de se mexer e lhe entregasse seu pau. Quando ele retirou a mão ela ficou confusa, pensando que ele tivesse deixado um dedo. Abriu os olhos

Não estou conseguindo me encontrar aqui. Está escuro, calor e acho que o tesão está me atrapalhando. Cadê a concentração? Isso é um dedo? Cadê o pau dele? Achei mesmo que ele estivesse se masturbando. Ele abriu mesmo a calça? É, ele abriu a calça. Então essa coisa... essa coisa minúscula é o pau dele? Que que eu faço com isso? Será que está mole? Não é possível. Aperta, vê se lateja. Latejou, ele está até soltando “água”. Caralho, eu não posso acreditar que ISSO seja o pau desse homem tão grande e forte. Concentra, respira. Não ri. Não ri. NÃO RI!

- Do que está rindo?
- Nada, desculpe. Estou um pouco nervosa. Estamos no carro, e se aparecer alguém?
- Quer ir pra outro lugar?
- Ok.

E no caminho ela continuou a pensar....

Como fui me meter nessa? Que eu faço agora? Estamos indo para o Motel, pelo que pude perceber. Puta que pariu. Como eu vou dar para um pau tão pequeno? Será que vou sentir alguma coisa? Sentir alguma coisa é o de menos, será que vou sentir o pau dele? Preciso me concentrar pra não rir. Mas é tão pequeno. Como pode existir um pau adulto tão pequeno! Meninos nascem com pau maior que isso!

Chegaram. Ele a levou para um Motel bacana. Suíte. Hidromassagem, sauna, cama redonda, espelho no teto, espelho na frente, espelho atrás e espelho do lado.

Pelo menos isso. Com um pau desse tamanho tem mais é que arrumar um quarto bem bacana, preciso me distrair com alguma coisa. Preciso parar de pensar nisso. Como vou me excitar se continuar concentrada no tamanho do pau dele? Ou melhor, como vou me excitar se continuar concentrada no tamanho que o pau dele não tem?

Ele a pegou com carinho, a levou para a cama. Quando ela sentou ele lhe deu um beijo demorado, gostoso. Com carinho foi tirando a roupa toda dela, devagar. Tirava aqui, beijava ali. Quando ela percebeu estava molhada de prazer. E ele continuava, devagar e sempre. Beijos, carinhos, arranhões, língua. Ela já estava com dor de tanto tesão, suplicando para que ele não parasse.

- Vem. Preciso de você.
- Ainda não, quero te sentir com minha boca.

E assim ele continuou a deliciosa tortura sexual. Ela conseguiu pensar em outras coisas e quando ele meteu ela sentiu. SENTIU!

Não é possível, ele deve estar usando uma prótese. Só pode. Enchimento de camisinha, alguma coisa assim.

Foi um sexo gostoso, delicioso. Ele a olhava nos olhos e alternava o rítmo. Ela já tinha gozado e repetiu a dose. Ele era forte, gostoso. Ele rebolava dentro dela. Quando ele gozou ela teve que analisar. E na camisinha só tinha o gozo. Então ela realmente entendeu que tamanho não é (mesmo) documento. Ele soube fazer. Ele é bom nisso. Ele é muito bom nisso.

Até hoje ela sente falta daquele mínimo pau. E do dono dele.

O Coelhinho

Uma amiga trabalha em um Sex Shop. Fui com outra amiga visita-la.
- Meu Deus, que é isso?
- Coloca, coloca!
- Como?
- Por cima da calça, coloca!
- Pronto, coloquei. E agora?
- Agora? BRRRRRRR
- AHHHHHHH, essa calcinha VIBRA!
- Vibra? E é bom?
- Experimenta, Lê.

E eu experimentei.
- Caceta, é bom. Ui, é bom.
- E esse coelhinho, faz o que?
- Vibra. Olha que gracinha..
- É, que fofinho. Rapidinho ele, né?
- É um coelho.
- E esse outro coelho? Também vibra?
- Uhum, mas ele tem a orelha dura demais
- Caceta, ele destrói clitóris!
- É, nunca vendemos dele.
- E esse vibrador enorme?
- Essa parte você enfia ali e isso aqui estimula lá.

Era um pênis enorme, de silicone. Texturizado e o cacete. Ele rodava de um lado, vibrava de outro, massageava. A amiga que estava me acompanhando resolveu ir embora. Acho que ela estava mesmo se excitando na frente de todo mundo.

- Cheguei a uma conclusão.
- Hm
- Preciso comprar um vibrador.
- Pq isso, Lê? Você pode ter um homem... aliás, você tem um homem.
- Tenho mais ou menos, a gente terminou. Mas uma coisa não tem a menor relação com a outra..
- Como assim?
- Não existe pau no mundo que vibre, rode e massageie! Sem contar que o must deve ser ter um brinquedinho desses E um homem na cama. Ou na cozinha, banheiro, sala..
- É claro. E é por isso que eu vendo tanto.
- Todo mundo se masturba, isso é normal. Mas cá entre nós.. Sofremos muito. A unha machuca, o braço começa a doer, é difícil manter o ritmo.
- Olha esse aqui. Você prende no azulejo do banheiro e ele roda!
- Você pode dar de 4 para o vibrador, fantástico!
- Pode dar de pé, de 4, se esfregar nele, você escolhe!
- Adorei.
- Esse é um falso batom. O batom que toda mulher deveria levar na bolsa.
- Aquilo ali é um peso de papel?
- É.
- Mas o que ele faz aqui na loja?
- Adivinha?
- Puta que pariu, ele vibra?
- Vibra. E o melhor, você senta em cima e ninguém percebe.

Fiquei horas perguntando, conhecendo e entendendo. Escolhi o coelhinho (de orelhas moles) mas era o último, peça de demonstração. Assim que chegar mais ela vai me avisar.
Eu preciso de um coelhinho!

Quarta-feira, Dezembro 01, 2004

Culpa do Randel filho da puta!

Ela estava apaixonada. Era carnaval e ela viajou com as amigas. Parecia muito doloroso ter que ficar alguns dias sem encontrar o gatinho na praia. Desde que começaram a ficar os dois se encontravam todos os dias no posto 9. Caminhavam, mergulhavam e se beijavam calorosamente na areia. Depois, de noitinha, os dois se encontravam no baixo e as noites acabavam, invariavelmente, na cama.

Mas, ela e as amigas foram para a Serra. Frio, vinho e altas conversas.

Um dia, ela reparou que o Randel estava olhando demais pra ela. “Mas, logo o Randel? Tem uns 10 anos que esse cara me conhece e além do mais ele é 20 anos mais velho do que eu.”. E era verdade, o Randel estava dando mole.

Um dia, vinho demais na cabeça. As amigas já tinham ido embora e ela foi até a lanchonete para comer alguma coisa. Encontrou o Randel.
- Sozinha, essa hora?
- Ax minhax amigax já foram dormir.
- Hm, e a gatinha ficou sozinha? Como vai pra casa?
- Com meus péxx. São doix.
- Eu te acompanho.
- Não.. er.. não prezisssa não.. eu posso ir soxinha, tenho meus péxx.

E ele a acompanhou. No meio do caminho, tropeços pra lá, tropeços pra cá. Quando ela percebeu, estava nas mãos daquele homem forte, experiente, alto e gato, muito gato. As pernas balançaram. A cabeça rodou.

Estavam se agarrando no meio do mato. Um frio de lascar, vontade de ir ao banheiro.
- Eu prezissso fazer xixxxxi!
- Vamos lá pra casa.
- Rápido!!!

Quarto escuro. Ela sai do banheiro e ouve um barulho.
- Mi dá umã balinha?
- Não tenho bala.
- Me dá exa então, exa que você acabou de abrir.
- Eu não abri bala nenhuma.
- Não?
- Não. Vem cá.
E ele já estava lá, ereto. Camisinha e tudo! A agarrou com aquelas mãos fortes. Beijou na boca com vontade, a língua percorreu todo seu corpo. Se certificou que ela já estava encharcada e enfiou com tudo. Não teve pena. Ela não teve nem tempo de gozar. Mas, foi bom. O efeito do vinho fez com que seu corpo ficasse dormente. Suados. Dormiram ali.

No dia seguinte ela não teve coragem de contar para as amigas. Encontrava com o Randel e automaticamente olhava para o chão. Fugia dele, não queria mais saber. Abusado!

Quando voltaram do carnaval ela estava com saudades do gatinho. Foi com a amiga para o posto 9 e lá ficaram. Fumaram um, esperando. As duas não conversaram direito. Parecia que ela estava escondendo alguma coisa.
- Amiga.. er, eu tenho uma coisa pra te contar.
- É, eu também.
- Então conta você primeiro.
- Não. Você falou primeiro, você conta primeiro.
- Ai, eu tenho vergonha.
- É, eu também.
- Será que é o que estou pensando?
- Será?
- Vamos falar o nome.
E as duas juntas falaram: - Randel!

- HAHAHAHAHAHAHA, puta que pariu!! Você deu pro Randel?
- Não acredito, você também?
- É, mas eu não tinha a intenção. Fui ao banheiro e quando entrei no quarto ele já estava armado.
- FILHO DA PUTA! Ele também te levou pro quarto dele?
- O que? Ele te levou também?
- Ele colocou a camisinha sem falar nada e te lambeu?
- Ai meu Deus, eu não acredito. Que escroto!
E a amiga ficou branca. Quando ela olhou pra trás, lá estava ele. Menos de um metro atrás dela. Quando os dois se olharam ela percebeu na hora que ele esteve ali o tempo suficiente para ouvir tudo. Ele olhou para o chão e saiu devagar. Ela? Ficou sem reação e teve a certeza de que não o veria mais. Os dois não iriam mais ao baixo, não transariam mais na varanda da casa dele. Tinha acabado. Culpa do Randel. Filho da puta

Números...

- Com quantos homens você já transou?
- Na vida toda?
- É.
- Desde o primeiro?
- É!
- Eu.. eu não sei!
- Como assim, não sabe?
- É, não sei.
- Você nunca contou, né?
- Acho que não consigo contar
- Como não consegue? Mais de 20?
- É, mais de vinte. E vc?
- 27. Começa a contar, agora!
- Ai, ai, ai. E se eu não lembrar?
- COMEÇA!
- Ok..

1. Maurício
2. Rodrigo V.
3. Rodrigo S.
4. Rodrigo C.

- Hahahahahahaha, você está enrolando!
- Não estou não.. Claro que não foi nessa ordem.. Mas talvez assim seja mais fácil.
- Ok, continua
(...)

12. De Búzios

- Não acredito.. Você não lembra o nome dele???
- Acho que eu nunca soube o nome dele. Posso continuar?
- Ok, continue..
(...)

23. De aparelho

- Hahahahahaha, isso está muito divertido!
- Amiga, isso me deixa triste.
- Hm, acho que tenho um consolo. Sou 2 anos mais nova do que você e estou curtindo pacas.. só esse ano foram 6.5
- 6.5?
- É, mas isso é assunto para outra hora. Deixe-me continuar..
- Hm..
- Você está em uma fase calma.. namorando..
- É, esse ano eu só tive 2.
- Então.. continue assim.. Quem sabe, quando eu tiver a sua idade não teremos o mesmo número?
- Hahaha, ok, ok! Combinado!

Dias depois:
- Vou escrever sobre o Dudu.
- Hm, bacana
- Ih, o Dudu!! Não coloquei ele na lista!
- Putz!!! Acho que vou precisar de uns 7 anos para te alcançar!
- Acho que fechei a lista: 42!

Quarenta e dois!

Ele tinha namorada... ela também... se conheceram na internet e logo ficaram amigos. Ficavam horas batendo papo, se divertiam muito. Falavam de sexo, relacionamento, brigas, música, cinema, trabalho... E, nossa.. eles se davam muito bem.

Meses se passaram e os dois cada vez mais cúmplices, cada vez mais amigos. Não havia nada demais, mas os dois escondiam a amizade de seus respectivos namorados. O namorado dela morava em outra cidade.

Um não conseguia mais dormir sem “falar” com o outro. E ficavam pelo menos 2 horas digitando. Até que ela ficou sem telefone. Ficaram uma semana sem “se ver” e quando ela retornou os dois estavam exaustos de saudades. “Isso aqui não tem a menor graça sem você.”.”Gatinho, senti muito a sua falta! Anota meu número que se eu ficar um dia sem aparecer você pode me ligar.”.”Se você me der seu número eu ligo AGORA!”.”Ok, meu número é...”

E assim passaram a se falar todos os dias. Ele ligava de madrugada para contar o sonho que estava tendo com ela.. E os telefonemas foram ficando cada vez mais recentes.. cada dia mais longos, cada dia mais íntimos. E os dois transaram pelo telefone. Uma experiência inédita, louca. E isso passou a acontecer quase todos os dias.

Ela ia viajar para a cidade do namorado. Ficariam 2 semanas sem digitar, falar.. Duas semanas sem gemer, duas semanas sem gozar. ”Gatinha, eu preciso te ver! Pena que está tão tarde!”. ”Tarde?”. ”É, você viaja amanhã cedo...”. ”E?”. ”Espera 5 minutos e vai para o portão”.

E ela foi. De camisola. E os dois se agarraram até o amanhecer. Sussurros, gemidos, mãos, bocas, sexo. Todo o tesão acumulado em meses de insinuações fez com que os dois perdessem a noção e transassem enlouquecidos. Nunca tinham se visto, mas eram íntimos demais e cada um conhecia muito bem o corpo do outro. Sabiam aonde deviam mexer, sabiam o local exato do prazer. Era como se já tivessem feito sexo muitas e muitas vezes.

Dois dias depois ela ainda tinha marcas no pescoço. Ele? Unhadas nas costas. Se viram mais umas 3 ou 4 vezes até que ele anunciou o casamento. Nunca mais se falaram.

Quem é Rafa???

Na loja de cds, enquanto escolhiam alguns cd e dvds, duas amigas falavam sobre uma cantora nova que uma delas conheceu há algumas semanas...

- Achei! Escuta esse aqui que é muito bom.
- Hum...tipo o que?
- Estilo Sade.
- Música de sexo.
- Pode ser.
- Bacana. Conheceu como?
- O Rafa que me mandou.
- Rafa?...Rafa...?
- Conheci na internet. Falamos todos os dias. Ele é um amor. Adoro ele!
- Mas vocês se conhecem?
- Conhecemos.
- E como ele é?
- Não sei. Nunca vi.
- Mas você disse...peraí... vocês só se falam por internet?
- E telefone.
- Mas você já viu foto?
- Não.
- Nem uma fotinho?
- Não. Você acha necessário?
- Lógico!
- Por que?
- Vai que ele é feio!
- Que diferença faria?
- Mas você sabe alguma coisa dele? Se é alto, baixo, loiro, moreno...???
- Sei que ele é moreno.
- Que mais que ele disse?
- Eu sei que ele é alto. Mais alto do que eu pelo menos. E tem uma gargalhada gostosa de homem.
- Quando foi que gargalhadas ganharam sexo???
- Não é isso..é que...ah você entendeu...
- Na verdade não. Alto quanto?
- Não implica. 1,80cm e alguma coisa. Conversamos bastante e gostamos de conversar um com o outro.
- É. Altinho.Ele já viu foto sua?
- Não.
- Nem aquelas do site?
- Nop.
- Ele nunca pediu?
- Nem eu nunca ofereci.
- Então ele pode ser qualquer um desses homens a nossa volta, não?
- Na verdade não...
- Por que? Não me diga que ele não é do Rio.
- Então.
- Amiga...Se ele mora em outra cidade e não quer mandar foto é porque é feio. Quer te ganhar no papo pra depois dizer que é feio.
- De onde você tira essas coisas?
- Leio muito sobre isso, amiga.
- Você e suas teorias.
- Vocês nunca fazem nada.
- A gente se fala todos os dias.
- Mas não fazem nada juntos. Não saem com amigos.
- Nós já somos amigos.
- Estou falando de olhar alguém ou alguma coisa na rua e fazer o mesmo comentário ou saber que ele viu a mesma coisa que você e saber o que passou na cabeça dele. Conhecê-lo pelo olhar, pela risada, pela respiração forte que no telefone soa como cansaço, mas pode ser irritação com a burra dirigindo mal na frente dele enquanto ele liga pra você depois do trabalho.
- Como você sabe que ele me liga depois do trabalho?
- Você sabe do que eu estou falando.
- Ele faria uma piada com isso que você disse sobre a respiração dele e diria “DVD?”.
- Vocês têm piadinhas próprias e você me diz que são só amigos?
- Isso existe em todas as relações.
- Talvez, mas em uma relação assim não há troca.
- Claro que há. Aliás, te falei que ele gosta de Seal também?
- Outra melô do sexo. Ele te disse isso, mas não quer te conhecer? Tô falando de troca de verdade. Cumplicidade. Fazer coisas juntos!
- Já fiz mercado com ele, serve?
- Se continuar assim qualquer dia vai me contar que tomaram banho juntos.
- SOMOS AMIGOS! E não é que ele não queira, combinamos assim.
- Você sabe que muitos diriam que não existe amizade entre homens e mulheres.
- Talvez porque são pessoas que se conhecem.
- Então você admite que há uma possibilidade de atração e envolvimento entre vocês caso se conheçam.
- Ahã.
- Ahá!
- Sem “ahá”. Essa possibilidade está aberta pra todos. Basta ter um diferencial.
- Hummm...será que o diferencial dele faz diferença?
- Sei que um dia vamos nos encontrar. Não tenho pressa. Acho que ele estava certíssimo.
- O tesão só vai aumentar.
- Não tem tesão.
- Mas vai ter.
- Talvez.
- Tá vendo?
- Não tô vendo nada. E vamos lá pagar porque eu tô com fome.
- Tomara que o japa não esteja cheio.